sexta-feira, 26 de julho de 2019

// A Indústria da Moda Pode Fazer Sua Parte.

No varejo de roupas a moda é ser responsável.

Uma equipe coordenada pela paulista Dari Santos costumava buscar cartazes com ofertas de emprego espalhados nas ruas das zonas leste e norte de São Paulo. Nessas regiões, além de pequenos restaurantes com cardápios cada vez mais fartos de opções da culinária boliviana, não faltam anúncios de oficinas de costura. Eles são procurados em boa parte por imigrantes vindos da Bolívia em busca de dinheiro para sobreviver e para enviar à família no país natal.

Quase sempre o trabalho oferecido não envolve carteira assinada e as pessoas muitas vezes dormem e comem no mesmo espaço exíguo. No Instituto Alinha, ONG que fundou em 2014 e preside, Dari quer mudar a realidade dessas oficinas clandestinas. O primeiro passo é legalizá-las. O segundo é melhorar as condições de trabalho. Há casos, segundo ela, em que os trabalhadores recebiam 4 reais por hora. Para chegar a um salário mínimo por mês, o pagamento às oficinas deveria ser de pelo menos 14,50 reais a hora.

O esforço da Alinha ganhou força nos últimos dois anos, quando passou a oferecer algo em troca às oficinas convertidas: a chance de vender seus produtos para varejistas interessados em garantir uma cadeia de suprimentos livre de mazelas como o trabalho análogo à escravidão. Desde 2017, as oficinas são cadastradas num sistema que usa a tecnologia blockchain, espécie de livro contábil virtual de alta segurança, que faz o registro de transações pela internet, como as usadas pelas criptomoedas. A proposta é manter a confiabilidade do registro de origem, capaz de ser rastreado inclusive pelo próprio consumidor, por meio de uma etiqueta presa a cada peça. Por enquanto, já são 97 oficinas no sistema, sendo que 68 tiveram algum tipo de intervenção da ONG. “A ideia é criar uma cadeia mais transparente do início ao fim”, afirma Dari.

O problema ainda está longe de uma solução definitiva e pressiona a indústria de moda. Um levantamento da organização não governamental australiana Walk Free Foundation apontou que o Brasil teria cerca de 370 mil trabalhadores em condição considerada análoga à escravidão — no ano passado, o Ministério Público do Trabalho resgatou 2.000 no país. A maioria deles está nos setores têxtil e de agropecuária. No mundo, são 40 milhões de pessoas nessas condições — e o setor têxtil é o segundo principal responsável por isso, atrás apenas do de tecnologia.

Estima-se que 128 bilhões de dólares sejam movimentados por ano no setor têxtil com produtos que envolvam trabalho análogo à escravidão em todo o planeta. O valor corresponde a 5% do que gira a indústria da moda. Sob ataque, boa parte das grandes varejistas do setor, em reação, tem tentado tornar mais transparente a cadeia de fornecimento — que se manteve por muito tempo como uma espécie de caixa-preta. O que se vê é um movimento inédito no sentido de jogar luz em informações no mundo todo e, mais recentemente, no Brasil.

Boa parte da dificuldade em rastrear a cadeia de suprimentos nesse setor está em sua complexidade. No modelo consolidado ao longo dos anos, a terceirização se repete em cascata até chegar, muitas vezes, a milhares de pequenas oficinas clandestinas. Mudar, nesse caso, pode representar um processo demorado. Um exemplo é o esforço empenhado pelas 90 companhias ligadas à Associação Brasileira de Varejo Têxtil (ABVTex). O grupo patrocina uma devassa na cadeia de fornecedores para certificar oficinas de costura desde 2010. Nesse período, foram certificadas 3 800 oficinas e 34 mil auditorias foram feitas.

Com uma base ampla de fornecedores, o projeto começou finalmente a render frutos. No primeiro relatório, divulgado em 1o de julho, 32 empresas associadas — entre as quais as três maiores do varejo de moda: as redes Renner, Riachuelo e C&A — conseguiram migrar recentemente 100% de suas cadeias para as oficinas certificadas. “É um mercado bastante fragmentado, mas nossa- participação acaba sendo significativa”, diz Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTex, que representa 25% do setor, com mais de 20 mil oficinas de costura espalhadas pelo Brasil.
No mundo, a transparência desses dados começou a ganhar força com a iniciativa de organizações independentes. É o caso do movimento Fashion Revolution, criado por ativistas em 2013 no Reino Unido após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh. A tragédia matou mais de 1 000 trabalhadores da indústria da moda e deixou outros 2 500 feridos, e trouxe à tona as péssimas condições de trabalho a que eram submetidos.

Desde 2017, a organização realiza um levantamento anual chamado “índice de transparência do setor”, que mescla dados públicos aos fornecidos voluntariamente pelas empresas sobre as condições de trabalho na cadeia e outros temas, como o impacto ambiental da produção. A primeira edição teve 40 empresas globais, nenhuma delas com mais de 50% dos pontos possíveis no índice. A mais recente teve 200 companhias participantes, e 18 pontuaram acima desse patamar. As marcas Adidas, Reebok, Patagonia, Espirit e H&M tiveram um desempenho ainda melhor: conquistaram mais de 60% dos pontos.

No Brasil, por enquanto, a instituição britânica realizou apenas um levantamento em 2018. Os dados não parecem tão animadores. Somente duas empresas ultrapassaram metade dos pontos possíveis: a subsidiária da holandesa C&A e a catarinense Malwee. O engajamento voluntário na hora de abrir informações também ainda é baixo. Das 20 companhias analisadas, 40% não responderam ou não concluíram as questões do relatório da instituição. “O mercado brasileiro tem evoluído, mas ainda tem muito a ser feito”, afirma Eloísa Artuso, diretora de educação na Fashion Revolution Brasil.

Isoladamente, algumas companhias e representantes do setor também começam a abrir outras frentes para ampliar a transparência no setor. A família Brenninkmeijer, fundadora da C&A, por exemplo, começou a dedicar investimentos ao Instituto C&A, braço filantrópico independente da varejista, e para iniciativas como o Instituto Alinha. A gaúcha Renner iniciou recentemente a estruturação de sua própria cadeia baseada na mesma tecnologia, ainda em fase de testes. “Já é cada vez mais claro que a moda antiga está saindo de moda”, afirma Paulo Correa, presidente da C&A no Brasil. Como um dos efeitos desses esforços, as grandes empresas do setor não têm recebido autuações do Ministério Público do Trabalho desde meados de 2017.

Trata-se de um movimento que vai determinar a própria sustentabilidade do setor no longo prazo. Uma pesquisa da consultoria Euromonitor aponta que 17% dos brasileiros preferem comprar roupas produzidas de forma responsável. É um número que deve crescer, segundo especialistas. No setor têxtil, o trabalho análogo ao escravo é uma das maiores, mas não a única controvérsia. Recentemente entrou em xeque o próprio modelo de negócios preponderante nesse segmento, o fast fashion, que estimula a troca contínua de peças e coleções. A questão é o impacto que o consumo acelerado gera, desde a produção de algodão (o cultivo agrícola que mais demanda o uso de agrotóxicos e um dos que mais consomem água) até o descarte do produto. A reflexão já fez com que parte do setor se reinventasse.

A americana Urban Outfitters criou um serviço de aluguel de roupas chamado Nuuly: por 88 dólares mensais, o cliente pode pegar emprestados seis itens e usá-los por 30 dias. Depois é só devolver. A meta é chegar a 50 milhões de dólares de faturamento no primeiro ano de operação. E esse tipo de discussão já influencia os mercados em todo o mundo. Na Dinamarca, o empresário Reimer Ivang criou a startup Better World Fashion, especializada em jaquetas de couro. Em parceria com uma ONG, a empresa passou a aproveitar couro de segunda linha, que pode ser reciclado diversas vezes. Além disso, a Better World Fashion aposta no aluguel: a pessoa pode comprar uma jaqueta pelo preço de 450 dólares ou alugar por 25 ao mês. Se o consumidor a alugar por 18 meses seguidos, a jaqueta passa a ser oficialmente dele, numa espécie de compra a prazo. Como última opção, após a compra, o consumidor ainda pode devolver a jaqueta para reciclagem e comprar outra pela metade do preço. A Better World Fashion já vende para 40 países. “O mercado de moda está mudando e os consumidores estão querendo roupas melhores e mais sustentáveis”, diz Ivang.

Na Europa, onde a renda média chega a ser seis vezes a brasileira, a transformação deve ser mais veloz. Mas, também por aqui, embora o preço ainda tenha um apelo relevante, a exigência por mais responsabilidade é vista como uma tendência irreversível. No Brasil, a Renner já assumiu uma série de compromissos até 2021: 100% de seus produtos deverão ter algodão certificado. A Riachuelo pretende abrir, em setembro, uma loja que oferecerá serviço de reparação e reforma de roupas. “O setor de moda vai se transformar e o que vai sobrar do fast fashion é a eficiência e a rapidez, sem a pegada negativa que ainda vemos hoje”, afirma Elio Silva, diretor executivo de marketing da Riachuelo. Nesse caso, a moda — para ser bem-sucedida — terá de ser duradoura.

FONTE:
https://exame.abril.com.br/revista-exame/a-moda-e-ser-responsavel/


quinta-feira, 18 de julho de 2019

// Liberar o FGTS Pode Ser Bom?

Em 2017, quando Temer liberou saques de contas inativas do FGTS, shoppings e varejistas observaram elevação de vendas.

Com a reforma da Previdência encaminhada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou a liberação de contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Essa “chupeta na bateria”, como o próprio ministro falou em maio, quando disse que a medida estava em estudo, pode render bom resultado para o setor de varejo na B3.

Os “calls” matinais de diversas corretoras chamam atenção para a notícia e há como traçar paralelos em função da decisão tomada pelo então presidente Michel Temer, que injetou cerca de R$ 42 bilhões na economia a partir de março de 2017.

Levantamento preliminar feito por banco e enviado a clientes institucionais, mostra que as vendas em mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) do setor de shoppings subiu de 1,8% no primeiro trimestre de 2017 para 5,4% e 5,9% no segundo e terceiro trimestres, respectivamente. A comparação é sempre sobre o mesmo trimestre do ano anterior.

Dentre as varejistas avaliadas, Lojas Renner viu elevação de 6% para 13% no segundo trimestre e 9% no terceiro. Lojas Marisa de 4% para 17% no segundo trimestre, seguido de queda de 1% no terceiro e Via Varejo de 11% para 19% e 15%, nos dois trimestres subsequentes.

Voltando novamente a 2017, o então Ministério do Planejamento elaborou estudo sobre o saque de contas inativas e conseguiu estimar que 36% dos recursos foram para pagamento de dívidas, permitindo posterior retomada do consumo. Também foram captadas queda no uso do cheque especial e cartão de crédito após a liberação. O estudo pode ser encontrado aqui.

FONTE:
https://www.seudinheiro.com/liberacao-de-fgts-e-boa-noticia-para-setor-de-varejo-na-bolsa/

sexta-feira, 5 de julho de 2019

// B2U SISTEMAS: 13 ANOS


Todo dia 5 de julho nossa empresa se permite olhar para trás por apenas um motivo - relembrar a história, o caminho, os desafios superados e perceber como fizemos tanto em tão pouco tempo.

Com apenas 13 anos de história, a B2U Sistemas tem a mente jovem mas a experiência, solidez e confiança de uma veterana. E num dia como hoje nos permitimos comemorar tudo que já foi conquistado sem nos preocuparmos com os novos desafios de amanhã na incansável missão de tornar a vida de nossos clientes mais simples e suas lojas mais agéis. Esse é o legado que queremos nos orgulhar.

Comemore com a gente e venha para a Mobilidade!




quinta-feira, 27 de junho de 2019

// Código do Futuro?

Cartões de crédito e débito, ao lado do dinheiro, são onipresentes no varejo brasileiro. Com a digitalização da sociedade, porém, novos meios de pagamento vêm ganhando espaço. 


Do uso de aplicativos aos QR Codes, passando por carteiras digitais, biometria, dispositivos contactless e wearables, novas possibilidades se abrem, com foco na conveniência dos clientes. Segundo o estudo “Meio de pagamento: QR Code – Na visão dos consumidores e das empresas varejistas”, desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e pela AGP Pesquisas, 82% dos varejistas pretendem adotar aplicativos e QR Codes como meios de pagamento nos próximos 12 meses.

Cartões de crédito e débito, ao lado do dinheiro, são onipresentes no varejo brasileiro. Com a digitalização da sociedade, porém, novos meios de pagamento vêm ganhando espaço. Do uso de aplicativos aos QR Codes, passando por carteiras digitais, biometria, dispositivos contactless e wearables, novas possibilidades se abrem, com foco na conveniência dos clientes. Segundo o estudo “Meio de pagamento: QR Code – Na visão dos consumidores e das empresas varejistas”, desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e pela AGP Pesquisas, 82% dos varejistas pretendem adotar aplicativos e QR Codes como meios de pagamento nos próximos 12 meses.

“O uso de aplicativos e QR Codes abre para o varejo possibilidades inéditas de interação e conhecimento dos clientes. Em uma economia cada vez mais movida a dados, isso é fundamental”, afirma Eduardo Terra, presidente da SBVC. O estudo mostra que pagamentos via App (24%) e QR Code (17%) já aparecem com números significativos como meios de pagamento usados em lojas físicas. No estudo “Novos meios de pagamento”, realizado pela SBVC em 2018, pagamentos via App apareciam com apenas 4% e QR Code sequer obtiveram respostas. “A relevância do meio de pagamento é muito mais cultural do que tecnológica. A sua evolução dependerá do comportamento das próximas gerações (nativas digitais) e de sua aceitação de meios de pagamento mais convenientes, integrados ao smartphone ou a wearables”, explica Terra.

O estudo verificou que, apesar da utilização de QR Codes por parte dos consumidores, o varejo ainda não adotou esse recurso. As principais barreiras apontadas são:

  • a pouca utilização pelo mercado (50%);
  • por ser de difícil implementação (25%);
  • a falta de informação (25%).

Para superar isso, o varejo e os provedores de soluções de pagamento devem investir na expansão da rede de lojas que aceitam esses meios de pagamento. Estimular a utilização, incorporando benefícios como descontos e pontuação em programas de fidelidade, fará com que as barreiras do desconhecimento e da desconfiança sejam derrubadas. “Consumidores sem o hábito de comprar online têm menor propensão a adotar meios de pagamento mais inovadores. O momento ainda é de desenvolvimento do mercado. Por isso, o foco no público mais digitalizado tende a oferecer um melhor retorno”, analisa o presidente da SBVC.

Metodologia

O estudo ouviu os mais importantes segmentos do varejo nacional. Entre eles, supermercados, moda, eletromóveis, lojas de departamento e foodservices. Também foram entrevistados 500 consumidores em todo o país, sendo que 91% deles costumam fazer compras online. O estudo teve como objetivo quantificar aspectos relacionados à utilização dos meios convencionais e eletrônicos de pagamento, aprofundando meios de pagamento aceitos pela loja física e online, hábitos de pagamentos dos consumidores e pagamentos via QR code na visão das empresas e dos consumidores.

FONTE:
https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/pagamento-qr-code-e-aposta-do-varejo/

quinta-feira, 23 de maio de 2019

// Sobre Moda e Tecnologia

Saímos dos anos 2000 e já estamos definitivamente há quase duas décadas na era da internet. Tecnologias que mudam nossa forma de viver e consumir aparecem a todo momento. 

Plataformas que nos permitem realizar todo tipo de compra com o conforto de não sair de casa, ferramentas que nos ajudam a encontrar médicos, restaurantes, ou os melhores caminhos para um destino estão à disposição e não param de pipocar por aí. Afinal, quem hoje em dia não recebe uma indicação de novidade do mundo digital por semana? Ao longo dos anos, e conforme essas tecnologias foram ficando mais conhecidas e utilizadas, é possível perceber uma grande mudança no comportamento dos consumidores e também quais mercados estão se adaptando com mais agilidade nesse novo modo de operar os negócios.

Falando em segmentos que estão se adaptando, os players de moda, incluindo a indústria têxtil e o varejo do Brasil, são mercados que ainda precisam melhorar sua relevância e aderência ao mundo digital. Temos, fora do país, excelentes cases de sucesso de como a moda conseguiu se transformar, apresentando aos consumidores soluções tecnológicas que se encaixam com o novo estilo de consumo. Falta no mercado brasileiro algum player que tenha a expertise e coragem de iniciar essa aventura, e assim carregar o mercado na mesma direção.

Opções de como a tecnologia pode ajuda-los não falta, basta um Google rápido para conhecer aplicativos como o ScreenShop, que permite que você tire um print da roupa, sapato ou acessório que viu online e quer comprar, e a ferramenta te apresenta diversas opções iguais ou similares, além de mostrar onde você pode adquirir e qual o valor. Esse é só um dos exemplos do que têm funcionado no mundo e é preciso chegar com mais força ao Brasil.

Em recente estudo que a GhFly realizou com as perspectivas do mercado, é possível ver que os números são otimistas. A previsão para o varejo, por exemplo, é de um aumento de 3.5% no volume de vendas ao longo de 2019. Se levarmos em conta os últimos anos e a recessão que o segmento sofreu, este ano será de boa retomada. As empresas precisam enxergar esse potencial como o momento certo para apresentar suas novidades e entrar de cabeça no que a tecnologia tem a oferecer para eles e seus clientes.

Além das boas previsões e de tudo que está à disposição no mercado digital, o setor da moda precisa, de uma vez por todas, compreender a nova forma de relacionamento dos consumidores com as marcas. Aliás, relacionamento, mudança e velocidade, acredito, são as palavras de ordem da vez.

O comprador precisa se identificar com a marca, acreditar nos mesmos ideais e comprovar a responsabilidade da empresa com temas que fazem sentido para ele. E isso vale para questões como meio ambiente, responsabilidade social, igualdade de gêneros. O mundo digital possibilitou essa abertura de relacionamento, antes tão distante, entre as marcas e os consumidores. Por outro lado, essa maior liberdade de escolha e a exigência de uma melhor experiência com a marca, obriga os players a saírem da caixinha. Não se aceitam mais campanhas só com pessoas dentro do antigo, dito, padrão de beleza. Não se aceita uma marca, ainda que de luxo, que vende roupa com pele de animal. E essas informações estão, literalmente, a um clique do potencial cliente.

Construir um sentimento, compartilhar uma causa, tudo isso importa para o novo perfil de consumidor, as conhecidas gerações Z e millenials, e fideliza-los é a única forma de garantir a permanência no mercado. Buscar tecnologias que ajudem nessa aproximação e virada de chave também é fundamental. É preciso entender como é a forma de consumir dessas gerações, o que elas buscam e por quais canais. Esse é o segredo.

Por fim, acredito que unificar a expertise entre o que o digital pode oferecer e o perfil do consumidor moderno pode ser benéfico para o setor da moda. Números que tendem a crescer com a retomada econômica podem ser impulsionados por ações que fortaleçam os negócios, baseando-se no fator humano e nosso novo modo de operar, que prioriza o digital.

FONTE:
https://ecommercenews.com.br/artigos/dicas-artigos/moda-tecnologia-e-o-consumidor-moderno/

quinta-feira, 16 de maio de 2019

// Você Precisa Usar Seus Dados, Lógico.

Uso dos dados na cadeia logística: ou você sabe usar ou está perdendo tempo e dinheiro.

Ao ler este texto, de alguma forma você está sendo cookado, tagueado e algum algoritmo criado, para que essas informações sejam acessadas mais tarde. Isso vale para todos: consumidores, produtos e serviços. Os dados viraram a commodity mais valiosa no mundo dos negócios. Eles ajudam as organizações a reduzirem seus custos, a tomarem decisões mais rápidas e apuradas e até a criar novos produtos e serviços que atendam a demandas diárias dos consumidores.

A cadeia de suprimentos ou Supply Chain também está passando por essa digitalização, liderada pelo Big Data e Analytics. Segundo pesquisa do Supply Chain Insights, 93% dos entrevistados acreditam que o Big Data irá gerir esta disciplina até o final de 2020. Diria que não vai demorar tanto assim. É uma mudança de abordagem radical, que tem como consequência direta melhoras significativas no tempo de entrega, na confiabilidade, no custo e no controle. Essa abordagem tornou-se imperativa, dada a crescente concorrência dos mercados, as altíssimas expectativas dos consumidores e o crescimento constante e acima da média do e-commerce.

Neste novo cenário, as regras mudaram: o que era desejável virou mandatório e o que era vislumbrado, tem se concretizado. Por exemplo, os tempos de entrega diminuem continuamente. Informar o passo a passo do status de entrega deixou de ser acessório e tornou-se uma ferramenta eficaz para “aplacar” a ansiedade do consumidor.

Nunca tivemos acesso a um volume de informações tão grande, de fontes e naturezas distintas, quase que em tempo real. Acrescenta-se a isso os dados históricos, dados de venda, pesquisas setoriais, indicadores macroeconômicos e os dispersos na internet. Mas, com toda essa fonte inesgotável de informações, as empresas precisam saber usá-las de forma inteligente, navegar e entender adequadamente tudo o que está disponível, caso contrário, o retorno sobre o investimento tardará a chegar.

Com isso, as cadeias logísticas vêm sendo redesenhadas com base nos dados e análises. Hoje esse processo se divide em 4 etapas evolutivas: descritiva ou histórica; regressiva ou preditiva; prescritiva e, no topo delas, a cognitiva. Entre as empresas, podemos dizer que 30% delas estão no primeiro estágio, 50% no segundo e 20% no terceiro. Poucas figuram na última etapa, como Amazon e Netflix, que se baseiam no comportamento e demanda de seus clientes. Neste último caso, o importante não é adivinhar, mas sim captar rapidamente a mudança e momentos do consumidor, como o conceito matemático da inflexão, em que a curva muda para cima ou para baixo.

Um bom exemplo de cadeia logística bem construída é a usada por uma grande rede varejista de e-commerce de moda. Ela usa as informações do cliente para adequar a oferta, o fluxo do pedido e da entrega. A entrega acontece como planejado e aí começa o ciclo novamente com novas ofertas, etc. Normalmente as empresas que já nascem digitais tem mais facilidade em montar suas cadeias usando a informação, pois informação é parte do DNA da empresa.

Os dados também são a base para tornar as cadeias de suprimentos mais resilientes e responsivas. A análise dos dados históricos e fontes externas permite a identificação de pontos de risco e quais eventos fortuitos poderiam impactas as operações. É o caso, por exemplo, de tempestades, inundações, queda de pontes e até greves. Com o diagnóstico na mão, é possível desenhar estratégias de continuidade, como rotas e modais alternativos. A greve dos caminhoneiros em 2018 foi um bom exemplo. Muitas empresas não estavam preparadas, mesmo com informações sobre o movimento estarem disponíveis há semanas.

Alinhado aos dados na cadeia de suprimentos, une-se a tecnologia Blockchain, autenticando as transações entre os parceiros e validando entre todos os participantes, principalmente no comércio exterior. Com aplicação correta do Blockchain, o processo tende a ser ainda mais célere e confiável, reduzindo assim custos com burocracia, uma vez que irá atuar já a partir do momento da compra, com banco envolvido, navegação, despachante, porto, etc.

Vale ressaltar que a falta de informação não pode mais ser uma desculpa para não se fazer o que é necessário para montar, de maneira eficaz, uma cadeia de suprimentos sólida e adaptativa. Os dados estão disponíveis, acessíveis, compartilhados e detalhados. Fazer uso correto deles irá agregar novos valores aos negócios e, de quebra, elevar a logística a um novo patamar.

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FONTE:
https://portalnovarejo.com.br/2019/04/uso-dos-dados-na-cadeia-logistica-ou-voce-sabe-usar-ou-esta-perdendo-tempo-e-dinheiro/


sexta-feira, 3 de maio de 2019

// Faça Parte do 1%.

Sobreviver às mudanças de hábitos de consumo requer reformular negócios. No varejo, adaptar-se à revolução tecnológica é primordial.

A Profa. Dra. Regiane Relva Romano acredita que “o primeiro e maior problema do setor é a falta de um software de gestão: 99% das empresas do setor não possuem um sistema que organiza suas vendas, faturamento, indica quais produtos vendem mais, e qualquer outra informação sobre sua operação de forma automatizada”.

“Com um bom software de gestão, empresas do setor podem começar a trabalhar com identificação de clientes, que inclui biometria e reconhecimento facial. Com essas informações em um banco de dados, é possível criar um atendimento personalizado para oferecer o produto certo e aumentar as chances de vendas, além de fidelizar o consumidor que achou exatamente o que precisava na sua loja”, diz Romano.

Seguindo essa lógica, o varejo pode oferecer promoções também customizadas e consegue organizar os produtos dentro da loja de acordo com o comportamento dos clientes. Ela destacou também novos formatos de venda, como quiosques.

“A Amazon trabalha esse modelo muito bem e o Walmart anunciou recentemente quiosques dentro das suas próprias lojas. Os clientes podem comprar e sair da loja de forma prática e rápida”, diz.

Há ainda, as máquinas de vending machine, ou máquina de venda automática, dentro das lojas e que podem aumentar as vendas.

“O segredo é cada vez mais usar a tecnologia para atrair e agradar o consumidor. Por exemplo, ‘gamificar’, que é a venda por meio de jogos, e interagir com o cliente é bom para ele que quer comprar e para você que quer vender”, explica.

Outro passo importante tem a ver justamente com entretenimento. “Vender de forma lúdica é fazer a pessoa consumir enquanto brinca e se diverte. Isso é um diferencial. Realidade virtual e realidade aumentada também entram nesse grupo. As empresas precisam pensar em novas formas de oferecer seus produtos".

Além disso, novos formatos de pagamento também precisam se desenvolver no setor. A tecnologia que permite pagar por aproximação já funciona no Brasil, mas ainda está longe de ser algo amplamente utilizados pelos consumidores por falta de confiança. Até mesmo o polêmico Bitcoin e as criptomoedas são agentes desse processo.

Considerando todas essas possíveis tecnologias que podem ser implementadas e já estão disponíveis para serem usadas de forma estratégica para o varejo, um segundo processo começa.

“A partir disso precisamos integrar toda essa tecnologia no negócio, pensar em oferecer tudo de forma padronizada com uma infraestrutura adequada, comunicação eletrônica, aplicativos bem estruturados e usar a internet e as redes sociais a favor da companhia", afirma Romano.

Nessa etapa, a empresa também deve começar a pensar no uso de drones dentro das lojas para inventários, fora das lojas para entregas, impressões em 3D e radiofrequência, por exemplo.

São duas etapas complexas que vão levar à Internet das Coisas, deixando as lojas de varejo inteligentes e integradas. Embora seja um desafio para o modelo que existe atualmente no Brasil, a especialista acredita que a “empresa que não inovar” no sentido desses processos “vai morrer”.

O impacto da Internet das Coisas nos negócios atualmente chega a US$ 8 trilhões ao redor do mundo.

Millennials

Romano destaca que todo o mercado está se transformando e obrigando as empresas a inovar justamente pela chegada dos Millennials, ou a chamada Geração Y, que são os consumidores que têm entre 20 e 39 anos hoje.

“Eles mudaram tudo porque fazem negócio com a marca. E trabalham com o que chamamos de ME2B, ou seja, eles decidem o que querem comprar e esperam que as empresas ofereçam e entreguem esse produto. Essa turma pensar em ‘ser’ ao invés de ‘ter’ está mudando totalmente a lógica do varejo”, afirma Romano.

Segundo ela, a missão das empresas de varejo é fazer um bom Storytelling porque essa geração precisa acreditar no que está comprando. “A empresa tem que vender e está alinhada ao que está oferecendo”, diz.

Essa geração é multi-telas e multicanais e, segundo a especialista, costuma-se classificá-los como consumidores Omnichannel, mas eles não se veem assim.

“Para os Millennials não importa onde e como estão comprando, mas sim o valor que isso agrega. Por isso, consumir do computador de casa, do celular, da loja não faz diferença. O que nos leva ao que chamamos de Unified Commerce: o cliente no centro de tudo”, afirma.

Para a especialista, o varejo precisa adotar esse estratégia de dar atenção ao seu cliente. “Hoje o que chamávamos de Omnichannel, nada mais é do que a personalização”, diz.

Ou seja, com essa nova era a empresa do varejo precisará “integrar saúde, bem estar, entretenimento, gamificação e realidade aumentada para vender o arroz e feijão”, afirma.

Segundo ela, é preciso desmistificar que a tecnologia é extremamente cara e apenas para os grandes negócios. “Todo mundo pode implementar”.

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FONTE:
https://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/8268721/99-das-empresas-no-varejo-tem-um-problema-diz-especialista